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sábado, 29 de outubro de 2011

Seletivas palavras

Desejo é vontade de consumir. Absorver, devorar, ingerir e digerir — aniquilar. O desejo não precisa ser instigado por nada mais do que a presença da alteridade. Essa presença é desde sempre uma afronta e uma humilhação. O desejo é o ímpeto de vingar a afronta e evitar a humilhação. É uma compulsão a preencher a lacuna que separa da alteridade, na medida em que esta acena e repele, em que seduz com a promessa do inexplorado e irrita por sua obstinada e evasiva diferença. O desejo é um impulso que incita a despir a alteridade dessa diferença; portanto, a desempoderá-la [disempower]. Provar, explorar, tornar familiar e domesticar. Disso a alteridade emergiria com o ferrão da tentação arrancado e partido — quer dizer, se sobrevivesse ao tratamento. Mas são grandes as chances de que, nesse processo, suas sobras indigestas caiam do reino dos produtos de consumo para o dos refugos.

Os produtos de consumo atraem, os refugos repelem. Depois do desejo vem a remoção dos refugos. É, ao que parece, como forçar o que é estranho a abandonar a alteridade e desfazer-se da carapaça dissecada que se congela na alegria da satisfação, pronta a dissolver-se tão logo se conclua a tarefa. Em sua essência, o desejo é um impulso de destruição. E, embora de forma oblíqua, de autodestruição: o desejo é contaminado, desde o seu nascimento, pela vontade de morrer. Esse é, porém, seu segredo mais bem guardado — sobretudo de si mesmo.O amor, por outro lado, é a vontade de cuidar, e de preservar o objeto cuidado. Um impulso centrífugo, ao contrário do centrípeto desejo. Um impulso de expandir-se, ir além, alcançar o que "está lá fora". Ingerir, absorver e assimilar o sujeito no objeto, e não vice-versa, como no caso do desejo. Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo o traço vivo do eu que ama. No amor, o eu é, pedaço por pedaço, transplantado para o mundo. O eu que ama se expande doando-se ao objeto amado. Amar diz respeito a auto-sobrevivência através da alteridade. E assim o amor significa um estímulo a proteger, alimentar, abrigar; e também à carícia, ao afago e ao mimo, ou a — ciumentamente — guardar, cercar, encarcerar. Amar significa estar a serviço, colocar-se à disposição, aguardar a ordem. Mas também pode significar expropriar e assumir a responsabilidade. Domínio mediante renúncia, sacrifício resultando em exaltação. O amor é irmão xifópago da sede de poder —nenhum dos dois sobreviveria à separação.Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua.Tal como o desejo, o amor é uma ameaça ao seu objeto. O desejo destrói seu objeto, destruindo a si mesmo nesse processo; a rede protetora carinhosamente tecida pelo amor em torno de seu objeto escraviza esse objeto. O amor aprisiona e coloca o detido sob custódia. Ele prende para proteger o prisioneiro.Desejo e amor encontram-se em campos opostos. O amor é uma rede lançada sobre a eternidade, o desejo é um estratagema para livrar-se da faina de tecer redes. Fiéis a sua natureza, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor.

BAUMAN, Zygmunt. AMOR LÍQUIDO: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2004. Pág. 23-25

Retalhos da janela

O sentimento impulsivo dentro do peito é como reflexo do agito das ondas.
A vontade é de gritar, de libertar para fora tudo aquilo que a razão desconhece e que a alma deseja manifestar.
Que assim seja.
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Acredito que todas as pessoas possuem uma luz Divina que as torna melhores a cada novo dia. Mas esta luz só se manifesta quando as pessoas se permitem a senti-las. Aí então, tudo pode ser realizado, pois é esta 
luz que sustenta os sonhos, alimenta o corpo e a alma. É a luz que faz as pessoas serem Amor uma para 
com as outras.
Luz
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Desabafo de um eleitor injuriado

Nas encruzilhadas destes versos
fica a reverência aos beneficiários
que vivem de dinheiro alheio
por meio de falsas promessas

Remexem, viram e mexem
a mesma história permanece
a política de hoje se "dá "
pela solução de um contrato de voto

Partidos válidos ou não
o povo arrisca até num mensalão
Dinheiro público é desviado
E mesmo assim pensam encontrar a solução

O rico cresce e o pobre desce
Cadê a igualdade para todos?
Chega de contrabandos! A imagem
que o político se mostra será tudo o que ele lhes oferece?

(I.F)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sonhos de seda

E assim, me construo a ouro e seda em salas  supostas, invento  palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis.

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Momentos

Ah momentos...
Há  pouco tempo escutei que "a felicidade plena é algo que não existe, pois sempre o ser humano está buscando o bem estar". Então ser feliz é apenas momentâneo, e não uma questão de plenitude.
Ser feliz não é apenas um ato de escolha de sentido, ser feliz é um estado de desatino.
Posso estar feliz com o trabalho, com os afazeres do cotidiano, com os amigos... São momentos passageiros. Mas e quando encontro-me sozinha, com eu e DEus é então que percebo, que essa felicidade plena depende de como eu me permito sentir a vontade de Deus em minha vida. Como diz uma certa música pela qual não me recordo o nome, mas que diz... vamos nos permitir... Então, vamos nos permitir à felicidade seja de momentos, seja do estar consigo mesma (o) enfim, vamos nos permitir...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Em mim e em você. Em nós

Na vida estamos de passagem
Tudo é um processo contínua aprendizagem
Viver mesmo, é reconhecer que caminhamos todos
rumo a felicidade


Humildade, solidariedade e gentileza
palavras estas de grandeza
E como um pássaro que voa em liberdade
quero viver a vida na verdade de Deus que é a realidade.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mémórias dele

Nas entrelinhas dos versos da vida
nada encontrei que me deixasse à deriva
sonhei... dancei... cantei
E só Deus sabe quantas almas encantei


Lembro das coisas vazias e preenchidas
dos amores que encontrei e não vivenciei
Mas foi apenas por uma... uma flor que me apaixonei.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


Meu lar é sempre onde estou. Meu lar está na minha mente. Meu lar são meus pensamentos.
Meu lar é pensar as coisas que eu penso. Esse é meu lar. Meu lar não é um lugar material por ai… meu lar está na minha mente.

Bob Marley

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Novo de novo todos os dias

Fazer a diferença não está apenas nas grandes ocasiões, elas se encontram também nos singelos momentos que o novo dia sempre nos proporciona.
Cabe a nós as escolhas. E que sejam escolhas que nos edifiquem, sendo negativas ou positivas, que estas sejam um impulso de aprendizado de vida, de maturidade de poder enxergar o lado bom da vida.
A vida é curta para aqueles que não desfrutam do melhor dos dias.
Façamos do singelo dos dias um ato de alegria para si próprio e para o próximo.

Novo de novo todos os dias.

Compassos

Sempre acabo escrevendo pensamentos em vários compassos
As vezes me sinto em valsa, outras em blues e jazz
Mas para cada compasso sigo o meu ritmo

o ritmo que Deus quer.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Paz

Paz é ter essência no coração
É  fazer a diferença nem que seja  por uma oração
Paz é ser luz no mundo
luz que ilumina a vida das pessoas
trazendo um gesto que edifique e que santifique 
Paz é brilho de união.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Respirar fundo

Buscar viver bem os dias é uma incógnita, 
que apenas descobrimos quando passamos pela 
experiência do ato de viver.
A cada dia as escolhas são feitas 
ou deixa-se que as horas passem por meros acasos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

De novo

Eu quero algo novo de novo
"denovo"
Novo
Que me faz nova
toda nova
De novo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dialogando com os botões em terceira pessoa

Ele saberia pouco dela
Ela saberia pouco dele
Ele tornou-se um homem viajante
Ela uma estudante constante
Sempre que se reencontravam Ele e Ela 
surgia um ponto de exclamação por estarem juntos mas que na despedida dos dois esse ponto tornava-se interrogação?!!?
E quem a garante que em cada lugar ele que passava
não acabava se encontrando com outra pensante como ela.

Ambos vivenciaram um amor distante

Ah... o amor dele era uma incógnita 
Mas ela ainda o ama... e ele?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

“Tinha esquecido do perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser."




Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O começo

A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço -  o sítio das avencas de minha mãe - o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras.

(Paulo Freire)